Jornadas de Junho de 13 =/= Jornadas de Março de 15

Escrevi um post com impressões sobre as jornadas de junho de 2013, antes dos quebra-quebras, naquela semana que tomou o Brasil de surpresa e que jovens colocaram reflexões nas cabeças de políticos, jornalistas e militantes de todas as filiações partidárias.

Algumas poucas coisas mudei de ideia, mas continuo com a impressão de que as direções das mobilizações dos dias próximos não ouviram os que saíram nas ruas naquele período. Se muito, fizeram pesquisa de marketing para captar expressões chave para atrair pessoas para um movimento, agora, capitaneado por interesses partidários de poder – mas sem construir algo realmente novo, que pudesse ser um esboço da chamada “terceira via”.

Quando vejo todo este barulho para fazer uma dança de cadeiras sem apresentar propostas e compromissos objetivos à população (o que é natural em período eleitoral mas omisso num clima de impeachment – ou de simples fritura partidária), fico com a impressão que se quer mudar muito – no limite de que a mudança se restrinja a tirar quem está lá, mas mantenha a mesma estrutura atual.

A principal e mais gritante diferença das manifestações de junho de 2013 é que aquelas, mesmo com a iniciativa do MPL, alcançaram uma dimensão enorme de maneira espontânea. O MPL simplesmente não tinha (e talvez não tenha hoje) influência e representatividade política para agregar tanta gente.

Os cartazes foram feitos com papel pardo, cartolina e tinta guache. Cada um escreveu o que quis. Isto é liberdade de expressão e individualidade! Não houve discurso enlatado.

Vejam as coberturas dos eventos, só vai ter material de gráficas nas manifestações. Só coisa comprada (e que custa um bom $$$).

Na boa, aquela manifestação “desorganizada, contra tudo que está aí” de junho de 2013, de uma juventude espontânea que quis ir pra rua, me é muito mais autêntica e representativa que manifestação capitaneada por interesses partidários de poder, inevitavelmente ligados a interesses mais econômicos que de cidadania.

PLANO-DE-SAÚDE-É-UMA-MÁFIA

O que falta para nós, sociedade, é conseguir identificar e exigir pautas que sejam de nosso interesse e conseguir impô-las aos nossos representantes, sejam quem forem.

Temos problemas de patrimonialismo (mistura do público com o privado)? Aumentemos a transparência: Lei de Acesso à Informação para toda empresa pública, de economia mista e – por que não – ongs e oscips que recebem verba pública.

E aí, queremos mudar a foto na parede (e ficar com um gostinho de ‘eu mudei meu país’ até perceber que a coisa toda continua igual, depois de uns 10 anos e se a mídia quiser noticiar), ou queremos mudar a estrutura do país que vivemos para não continuar errando?

Não merecemos análises e propostas mais maduras do que fazer enquanto projeto de país, ao invés de continuar no discurso de anjos e demônios, salvadores da pátria que vão assumir e – plim! – resolver os problemas (sem precisar abrir as discussões)?
Abs!!

cidadãoguerra-square-blue

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