Análise Eleições 2014

Amigos do Facebook,

Esta eleição é a mais pesada que me lembro, eu que ainda era criança quando a Constituição de 88 viu a luz do dia. Talvez em função de ser a 1a em que a maior parte do Brasil esteja conectada pelas redes sociais (Facebook, Whatsapp, Twitter). Estamos tendo de aprender a lidar com a democracia, com apresentar opiniões e ouvir / ler opiniões diferentes, e resistir ao impulso de bloquear as opiniões diferentes (e assim construir ‘bolhas’ de concordância). Enfim, democracia cansa, dá trabalho, exige estômago – mas é muito melhor do que embates físicos para defender interesses políticos, como era na Idade Média…

De tudo o que li e ouvi nesta eleição, penso que o ponto central é qual tipo de Estado queremos para nós. Estado no sentido de sociedade, qual espírito queremos para guiar o caminho a percorrer.

Problemas no Brasil ainda temos vários, e é ilusão pensar que eles vão desaparecer com a escolha de candidato “A” ou “B”.

Penso que a verdadeira disputa, apesar de todas as mazelas brasileiras, é escolher qual pensamento, qual horizonte utópico devemos perseguir. Ou seja, qual Brasil ideal escolhemos, e assim caminharemos em sua direção – mesmo que os próximos 4 anos sejam pouco para alcançá-lo.

Estou cursando o último semestre de Direito no Mackenzie Campinas, e tive o prazer de conhecer vários bolsistas ProUni, pessoas excelentes que agarraram a oportunidade e alguns hoje já trabalham numa posição que dificilmente teriam sem esta “bolsa” de estudos. Este breve exemplo é um símbolo do que é o Estado Social, o Estado (Sociedade) que busca garantir direitos básicos para TODOS os cidadãos, sem observar critérios de herança, de compadrio político, de patrimônio.

Além da oportunidade individual deles, a simples presença deles num ambiente que, a princípio, seria apenas de pessoas capazes de desembolsar R$ 1.200,00 por mês mais despesas complementares, enriquece enormemente o ambiente universitário com outras visões de mundo, que se propõe ser universal nas experiências oferecidas aos alunos; na verdade ganhamos todos com esta diversidade universitária.

Estes colegas bolsistas (por vezes o primeiro da família a alcançar o nível superior) alavancam suas famílias, seja pela maior remuneração alcançada, seja pela nova visão de mundo e oportunidades, seja pelo conhecimento aprendido e colocado à disposição dos familiares.

A outra opção oferecida por um governo pós 88 foi o FIES, financiamento universitário para ajudar a pagar o ensino universitário. Esta proposta não é uma “bolsa”, mas sim um financiamento, pelo que o estudante precisará passar anos após formado pagando o mesmo. Foi criado numa época em que o ensino universitário privado passava por forte expansão, mais como uma estratégia de fomento de mercado consumidor universitário do que como efetivação do direito à educação.
Tanto ProUni quanto FIES guardam o “DNA” de um pensamento, de uma idealização do Brasil.
Eu acredito no Brasil sugerido por programas como o ProUni, que buscam trazer pessoas à sociedade, dar oportunidades para efetivar direitos.

Quem criou o ProUni, e outros programas sociais, foi o PT (governo Lula), tão duramente criticado neste período eleitoral. Quem criou o FIES foi o PSDB, durante governo de FHC.

Não sou petista (apesar de alguns extrema-direita me “xingarem” de petista rsrsrsr), mas não posso deixar de reconhecer [1] a importância do ProUni, mesmo não sendo usuário do benefício, e [2] o melhor pensamento que inspira o ProUni em relação ao que inspirou a criação do FIES.

Escolhi este tema (educação) por ser de mais fácil compreensão de todos, e creio que o mesmo padrão de comparação pode ser estendido a todas as outras áreas do Estado brasileiro.

Votei na Luciana Genro no 1º turno em função de sua pauta de campanha, mas tenho de escolher entre Dilma (PT) e Aécio (PSDB). Não posso negar a diferença histórica gritante entre ambos os pensamentos que carregam na eleição. Um candidato não “manda” sozinho, ele carrega consigo uma série de outras pessoas em sua equipe, cujo fator de aglutinação é o pensamento razoavelmente na mesma direção.

Voto DILMA pois, apesar dos pesares, dentre as duas opções é a que melhor representa o Estado Social, o qual graças a Deus não preciso mais tanto quanto quando estudei engenharia na Universidade Federal de São Carlos (curso e laboratórios mantidos pelo Estado/União), mas que talvez por isso mesmo deseje que benefícios deste modelo de Estado continuem sendo estendidos a outros brasileiros.

O que não quer dizer que não existam problemas, que não surgirão novos problemas, ou que estes não tenham de ser solucionados.

Trata-se apenas de uma aposta em qual modelo de Brasil queremos construir, qual Brasil ideal, para orientar nossos passos pelos próximos 4 anos.

E quanto aos problemas, teremos de continuar apontando e criticando – afinal, a democracia não acontece apenas no momento de apertar botão na urna, mas muito mais entre um apertar e o outro dali a 4 anos.
PS: A maior conclusão que tiro desta eleição é que a corrupção é um traço social do Brasil, muito mais profundo que ‘um partido’, como já explicado no artigo da Folha sobre o “Tio Arthur”:

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/newyorktimes/191582-eleicoes-tio-arthur-e-a-geladeira.shtml

“Lembro bem de quando fui apresentado à corrupção. Era domingo, eu tinha uns sete, oito anos de idade e almoçava na casa de um tio. Vamos chamá-lo de Arthur. Arthur era o meu parente mais rico e morava numa casa com piscina. Lá pelo meio do almoço ele contou à família, orgulhoso, como havia encontrado um jeito de desligar o registro de água em frente à casa, de modo a encher a piscina sem gastar um tostão. Não me lembro de o terem repreendido. Hoje, meu tio está aposentado, mora num apartamento e, vira e mexe, me repassa uns e-mails revoltados contra a corrupção do PT, no governo.”

Sobre “quem é mais corrupto”, acho interessante como o tema Petrobrás se tornou um assunto “esgotado e enjoativo” (palavras de Serra) para psdbistas e mídia logo depois que PRC citou o nome de Sérgio Guerra, ex-presidente do PSDB (e que não é meu parente) como participante do esquema. Já disse em outros momentos que não vejo peso legítimo em alegações de um réu em delação premiada, que nem foram ainda objeto de processo judicial que verifique de fato a validade dos alegados ao invés de tão somente uma “aparência” de ilícito, mas não se pode negar a função política de equilibrar a disputa quando os dois lados estão citados por PRC.

https://cidadaoguerra.com/2014/09/20/vazamentos-seletivos-em-delacao-premiada-democraticos-ou-nao/

cidadãoguerra-red-fade

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