O Jovem GIGANTE e o resto

Protestos iniciados em São Paulo, excesso de violência, adesão espontânea e maciça de jovens e de outros cidadãos encheu as ruas. Violência, conflito, beleza, paz, pautas variadas, cartazes variados.

O caos? Ou a ruptura de uma ordem que já não serve mais?

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ORDEM-X-DIVERSIDADE

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São muitas as perguntas sem resposta, e cada qual tenta colocar o significado que sua mente consegue identificar. Percepção.

Você tem a sua, e eu a minha. E a Globo tem a dela, cada partido tem as suas, assim como outros grupos associativos políticos. Assim como a roda de bar, o ambiente de trabalho, o restaurante.

E este movimento, apesar de iniciado pelo MPL, Movimento Passe Livre, não pode ser visto como resultado exclusivo de militantes do mesmo.

Algo de diferente aconteceu, para que pessoas comuns escolhessem sair às ruas e trazer a sua própria pauta em cartazes, a sua própria visão de mundo, sem submetê-la a um grupo, a uma instituição.

PLANO-DE-SAÚDE-É-UMA-MÁFIA

Justamente por essa adesão espontânea, este movimento não se insere nos conceitos tradicionais, onde havia uma hierarquia vertical, onde o pensamento era linear, onde se é ou vermelho ou azul, esquerda ou direita.

E isto está dando curto circuito na cabeça de muita gente,

E, ao ver o que não entende, compreende, conhece, alguns grupos estão adotando as mesmas táticas antigas e desgastadas: partir para o ataque ou tentar “fazer a cabeça”, “conscientizar”, “catequizar”. Que coisa, tanto tempo passado de Brasil, ainda não conseguimos colocar na mesma mesa pessoas com visões de mundo diferente, e sair dali com consenso.

ditadura-ideológica

Foi preciso uma violência incontestável para “acordar” o gigante – mas ele acordou. E acordou pelas mãos da juventude, juventude que faz uso intensivo de mídia social. Que bolou pelo Facebook os eventos e viralizou a participação. Quem acompanha as redes sabe: viral é incontrolável, pode pegar ou não. Não é linear, não fecha em grupos definidos. Isto é muito típico da nova geração que cresceu já com a internet, com seu pensamento não mais linear ou hierárquico, mas em redes e sobreposto, intermitente. Este pensamento é compatível com o movimento realizado (e com a queda de participação de 60.000 no 1º dia aqui em Campinas para 3.000 ontem, 3º dia). O que o pensamento linear interpreta como uma queda acentuada, e já traz uma melancolia e sentimento impotente, este pensamento novo e errático considera normal. Pode ser que exista outro momento necessário, pode ser que não, e tudo bem.

Tudo bem para quem pensa assim, mas as gerações antigas NÃO PENSAM ASSIM.

Viagem essa diferença entre gerações? Assista ao vídeo e entenda como este fato é considerado pela visão do consumo – mas pense que você precisa ver com os olhos da cidadania.

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Isto é uma mudança radical, sair do pensamento linear para o pensamento em rede. Pois os movimentos não serão mais vistos como blocos se deslocando, mas como correntes em constante dinâmica, idéias rapidamente mudando. Pois agora, com redes sociais, a ideia é livre e circula imediatamente. A informação não está mais concentrada nas capitais, nos sindicatos, ou em algum outro tipo de convívio social que restringisse a um pequeno grupo em detrimento dos outros. Pela primeira vez, uma informação pode ser universalizada. Imediatamente. Como o anúncio do plebiscito de Dilma, e a recente retratação diante das polêmicas que levantou.

O movimento não é instituição, pois não tem estrutura de poder. Sem líder formal, vale a melhor ideia do momento, se faz no momento, se transforma no momento. Dificulta a cooptação, pois não se sabe quem é o líder a cooptar, e não se pode cooptar todos. O mesmo ocorre com a coação.

E justamente por isso, as instituições antecessoras têm tanta dificuldade em lidar com este novo tipo de movimento. Não adianta se armar em uma frente: onde é a frente? Qual é a pauta?

Diante desta aparente confusão e caos, vem o lado triste da coisa. Os mais antigos, ao invés de aprender com a novidade que surgiu, tentam forçar suas idéias ao Jovem GIGANTE. Cada fragmento político brasileiro, que foi incapaz nas últimas décadas de promover tal movimento popular por si, não dialoga com estes Jovens. Pelo contrário, pregam. Cada um sua “verdade”, mas há uma constante: nenhum destes vê o Jovem GIGANTE como um novo ATOR POLÍTICO, ou seja, com personalidade própria, mesmo que difusa e por vezes contraditória. Mais uma vez, vale a pena ver o vídeo acima.

E ao não reconhecer existência, tentam “fagocitar” os jovens, como se fossem “alimento” para suas causas próprias.

E o fazem com ataques de bombas morais: se contraria um de esquerda, é “facista” e “coxinha”. Se contraria um de direita, é “comunista querendo dar golpe”. Golpes pra lá e pra cá, não há diálogo.

hostilidade

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O que estes grupos estão ensinando, então, aos Jovens GIGANTES? Em uníssono: “SE VOCÊ NÃO É COMO EU, VOCÊ NÃO EXISTE”.

Sem compreender a novidade que se apresenta, forçam a sua verdade até mutilar a ideia alheia. E onde fica a pluralidade de pensamento necessária à democracia?

Direi de novo: forçam sua verdade até mutilar a ideia alheia. Mas foi esta ideia alheia, pura, que nos tirou da inércia! Sem a adesão espontânea de milhares de jovens que nem sabiam o que era o MPL há uma semana atrás, não haveria o momento atual.

Não percebem que, ao forçar o pensamento antigo, matam o novo, estraçalham, rasgam, comem este pensamento novo. Ao ver o novo, ao invés de comungar com este, estar junto e aprender com ele, ataca a suposta “falta de conhecimento histórico”, “estar bebendo cerveja”, “não ser ativo”, “ser massa de manobra”, e tantos outros adjetivos usados para desqualificar seus adversários ou para diminuir o novo.

Argumentam com martelos!! E comem cérebros…

tiamat---ditadura-ideológica

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Um pensamento novo pode não ser perfeito (o que é perfeição?), pode não ser completo (quem é?), mas que sente e pulsa e vibra, coisas tão necessárias para a mudança. E É NOVO, o que significa que tem algum potencial de mudar, e evoluir.
E justamente deste novo olhar, livre de velhos cacoetes que já se mostraram incapazes de resolver problemas atuais, é que tos nós podemos nos beneficiar e alcançar o tão necessário DIÁLOGO.

Diálogo, necessário para UNIVERSALIZAR INFORMAÇÕES DE TEOR PÚBLICO, ao invés de cada grupo ou partido separar apenas as informações úteis para montar um dossiê contra seu adversário eleitoral.

Diálogo, necessário para AMPLAMENTE DISCUTIR AS PROPOSTAS, ao invés de se fechar em grupos e enfiar a sua proposta goela abaixo do outro.

Diálogo, para depois da decisão acompanhar a realização do ponto decidido, e verificar se atendeu aos motivos da decisão.

Sem isso, todo esse furor informacional da internet degenerará em panfletaria estéril, em mensagens sem conteúdo ou fundamento e que só instigam ódio contra desafetos. Já vi isso numa página da AVAAZ pedindo o Impeachment da Dilma, mas que não traz informação ao assinante do que é o Impeachment, e por que motivo legal deveria ser feito, e quem seriam os sucessores dela. Puro marketing político baseado no ódio. O que temos a ganhar com isso?

Da mesma maneira, deboches e sarcasmos contra quem pensa de um jeito ou de outro. O que esperam com isso, além de diminuir a participação das pessoas?

Ou aquela página “Greve Geral”, que colocava a lei de greve em link, e defendia que “todo mundo podia fazer greve por ser direito previsto em lei”, mas não dizia que uma greve, se não cumprir os requisitos, pode ser considerada ilegal e aí você trabalhador perde os dias parados….

O caminho, após a euforia e agora em silêncio, é preparar para o mais trabalhoso: o DIÁLOGO, necessário para o processo deliberativo democrático – mas isso fica para outro post.

Por hora, basta dizer que temos muito o que aprender com essa juventude GIGANTE que já tirou o país do rumo que estava seguindo, que já complicou ao BNDES emprestar mais dinheiro ao Eike, que já fez Alckmin segurar o aumento dos pedágios, que está derrubando derrubou a PEC 37, que já fez o preço das passagens de ônibus cair, que já …….

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cha kid super

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2 thoughts on “O Jovem GIGANTE e o resto

    • Obrigado pelas palavras, conferi o seu blog e ele é interessante. Acho que está sobrando racionalização e faltando sentir o momento… Se esquecem que antes de tudo, somos seres humanos … abs.

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